Memórias do Subsolo

Brochura, 152 pages

Portuguese language

Published Jan. 1, 2009 by Editora 34.

ISBN:
978-85-7326-185-1
Copied ISBN!

View on OpenLibrary

(2 reviews)

Obra-prima da literatura mundial, esta pequena novela traz, em embrião, vários temas da fase madura de Dostoiévski. Seu protagonista, um funcionário que vive no subsolo de um edifício em São Petersburgo, expõe a sua visão de mundo num discurso explosivo, labiríntico, vertido impecavelmente para o português por Boris Schnaiderman. "Tradução primorosa." (Luciano Trigo, O Globo)

1 edition

Masoquismo prazeroso

( sol2070.in/2026/03/memorias-subsolo-dostoievsky/ )

No clássico Memórias do Subsolo (1864, 184 pgs), o russo Dostoivévski satiriza a figura do intelectual racional idealizada na época. Surpreende por permanecer atual, com um frescor moderno até.

O anti-herói continuamente desafia a ideia de que as pessoas conseguiriam realizar o próprio bem (e da sociedade) simplesmente ao desejarem e planejarem isso racionalmente. Tenta explicar isso com a filosofia a que chegou no monólogo de abertura, uma autoapresentação da personagem, e exemplifica com a comédia de erros que é sua vida, na segunda parte.

O narrador se perde tanto em seus compulsivos trens de pensamento que fica paralisado de neurose, bloqueando o tempo todo a própria realização — social, profissional e romântica. Mas pode sempre se autojustificar em contorcionismos intelectuais mirabolantes.

É moderno na ambiguidade: ao mesmo tempo que desperta simpatia pela rebeldia aos valores predominantes e normas sociais, e pelas dificuldades vividas, provoca aversão na …

O subsolo é um lugar horrível!

No rating

“Sou um homem doente... Um homem mau. Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado.” — Assim se abrem estas memórias, memórias de um homem doente de si mesmo, neurótico, do subsolo. Do subsolo tendo em conta que que afundou-se em suas cismas e maquinações. Um homem de língua mordaz, que se acha consciente, sábio, mas que devido a suas neuroses estagnou-se na imaturidade, incapaz de sociabilizar. No subsolo ele engendra sua filosofia, legitima sua inércia, abraça a dor e o sofrimento. Alimenta as vaidades enquanto esconde os hematomas. Em suas memórias remói as insignificâncias: a aparência, os olhares incapaz de manter, o homem na rua do qual sempre desvia o caminhar.

Dostoievski é muito exitoso em seu estudo de personagem, em suas contradições e peleios. A misantropia, insegurança e solidão atravessam o subsolo, seu habitante se vangloria das próprias doenças e ainda procura causar com elas um efeito.

Eu …